Não perca nossas receitas! Inscreva-se!
A música entrou na minha vida muito cedo. Gostava de prestar atenção na letra, mais do que ser levada pela melodia. Experimentei o piano, o violão, o canto… sempre mais como uma admiradora do que como alguém que possui um dom.
Estes dias, um pensamento me visitou: casar é como compor uma canção a dois. Um faz a letra; o outro, a música. O resultado precisa fazer bem aos ouvidos e à alma.
Quando comecei a me relacionar com meu marido, em 2005, fui timidamente escrevendo a letra da nossa canção. A cada verso escrito, eu ensaiava cantorias, mas o som que teimava em sair da minha boca era inaudível. Um verso era alegre, outro triste; um animado, outro raivoso. O estilo musical era difícil de definir.
Precisei acalmar meus ânimos, parar de me autopressionar pela composição e refletir sobre o que eu gostaria de falar para quem fosse me ouvir. Passei anos escrevendo a lápis, insegura, apagando a cada momento em que me sentia atravessada por ideias que conflitavam com as minhas.
Até que, em certo momento, decidi trocar o lápis pela caneta. A letra saiu inteira, de uma só vez, como um manifesto. Fiquei surpresa ao perceber que, enquanto eu me batia com as palavras, meu marido criava a melodia, mesmo no escuro. Porém, ao juntarmos os dois trabalhos, não funcionou. Estávamos em tons diferentes e nada complementares. Tentamos achar uma solução para não deixar aquela composição morrer, mas nada nos agradava.
Depois de muitas tentativas frustradas, decidimos começar do zero em 2025… desta vez, verdadeiramente juntos. Eu contava minhas ideias para a letra enquanto ele compartilhava seus acordes. Em pouco tempo, a canção estava pronta. Eu, que sempre fui uma apreciadora das palavras, finalmente abri meus ouvidos para a beleza da melodia. Hoje, quando a escuto, não busco erros nem rascunhos; apenas a sinto. Pela primeira vez, não enjoo da repetição, pois cada nota carrega o orgulho de saber que essa harmonia só existe porque foi criada por nós dois.